terça-feira, 5 de junho de 2012


INFELIZMENTE, O JOIO TAMBÉM DIZIMA, OFERTA E VOTA‏


Por Wesley Moreira
Não estou escrevendo sobre o dízimo. Alias, acredito que os cristãos devam dizimar e ofertar. Meu ponto nesse texto é outro: Como testemunhar o evangelho com eficácia.
Somos Brasileiros e criativos. Portanto, sempre iremos improvisar em nossa maneira de testemunhar sobre o evangelho. Porém a criatividade não deveria nunca mudar o evangelho para algo mais aceitavel ou politicamente correto. Escrevi abaixo de “supetão” tudo aquilo que considero imprescindível para a pregação eficaz do evangelho. Eficácia para mim é o sucesso na produção de Trigo e não de Joio.
Com razão os crentes não são perseguidos pela pregação do evangelho. Por que o mundo perseguiria aqueles que o adulam com uma mensagem “mamão com açucar” que centraliza o homem como a Julieta de um Deus Romeu. Basta uma olhadinha no conteúdo da mensagem de João Batista para entender a razão dele morrer decapitado. Olhe para o que Jesus pregava abertamente aos Judeus para saber o motivo do ódio dos Saduceus contra Ele. Olhe para a mensagem dos apostolos em Atos para entender o porque eles eram açoitados e perseguidos pelos Judeus e Gentios. Jesus nunca disse “Eu te amo”, no singular, para ninguém nos evangelhos. Porque então as pessoas acreditam que dizer “Jesus te ama” é o mesmo que pregar o evangelho?
O Joio é mais fácil de produzir, e para nossa infelicidade, Joio também dizima, oferta, enche igreja e vota nas eleições, o que contribui como principal motivo para os líderes evangelicos buscarem o evangelismo massivo de Joio e não a mais metódica tarefa de produzir o precioso Trigo.
Afinal, em tempos que ópio e maconha dão muita grana, mas ainda são ilegais, a produção legal de Joio é muito tentadora. Por que se preocupar com a santidade da Igreja, da qualidade do evangelho que produz Trigo, se Joio é como mato, basta uma cruzada de milagres aqui, uma campanha de prosperidade ali que eles brotarão por toda parte, até por entre as brechas dos paralelepípedos?
Se Joio não dizimasse, ofertasse ou votasse, alguns líderes evangelicos estariam hoje pregando o evangelho que produz Trigo, ou talvez tentando um cargo politico.
Sou pentecostal desde que ser pentecostal signifique crêr nos dons do Espirito Santo e na atuação do mesmo hoje. Creio em prosperidade desde que esta não seja licensa para saquear o bolso dos fieis, mas aquela que vem pelo trabalho abençoado por Deus e da generosidade com o próximo menos favorecido. Creio em milagres desde que estes não sejam aqueles comercializados, mas apenas a manifestação expontânea da bondade de Deus aos que crêem.
Portanto a minha questão não é briga de direita e esquerda, nem teologia da prosperidade versus teologia da missão integral. Acredito que as duas são faces opostas da mesma moeda. As duas centralizam o homem, seja esse homem o próximo necessitado ou eu mesmo. Como afirmei anteriormente, Jesus nos evangelhos nunca disse a ninguém “Eu te amo” mas perguntou “Tú me Amas?” Pois Ele é o centro, nunca o homem, seja esse homem eu ou o próximo necessitado. Amar a Deus acima de todas as coisas vem antes de amar ao próximo ou de amar a sí mesmo. (Marcos 12:29) Em meu coração está o desejo de ver a verdade de Jesus manifesta ao mundo e do fundo da alma eu sei que tanto a teoria da prosperidade quanto a missão integral e suas vertentes deformam e destroem a verdade do evangelho de Jesus Cristo.
A única razão para a existência da Igreja é o testemunho da severidade e bondade de Deus. O mundo já foi condenado em Adão, a benignidade e bondade de Deus permitiu a humanidade viver para que alguns fossem salvos em Jesus Cristo. Esse é o contraste que deve sempre ser manifesto na pregação do evangelho: Adão X Jesus. Sem o conhecimento da queda ninguém buscará a salvação. E o conhecimento só vem através da lei que expõe a natureza de Adão em nós. A lei não nos salva, mas nos deixa completamente perdidos, sem justiça própria e ansiosos por salvação. A lei nos prepara para receber a graça. A graça nos salva e nos dá poder para sermos santos, a santidade nos torna filhos de Deus, e os filhos de Deus herdam a Vida Eterna.
Há duas testemunhas, duas oliveiras, dois testamentos, Israel e a Igreja que testificam das verdades resumidas nos seguintes assuntos:
Deus é Santo – A criação reflete o criador – Deus exige santidade de sua criação – Adão pecou por livre vontade e expos a criação – Em Adão o mundo foi julgado e condenado – Deus deu a lei como medida para a nossa realidade de seres caídos – Jesus Cristo pagou por nossos pecados – Deus oferece em Jesus uma oportunidade única de Salvação – Arrependimento e novo nascimento são necessários – A Graça nos dá poder para sermos santos – É necessário perseverar e vigiar desenvolvendo a salvação diariamente – Quem é nascido de novo compartilha o evangelho com os demais – Jesus voltará para Julgar e tomar posse do Seu Reino – Os que crêem e vigiam esperando a Sua vinda viverão em santidade pela eternidade.
O esqueleto de toda pregação do evangelho deve conter os seguintes tópicos:
(1) A Santidade de Deus
(2) 10 Mandamentos
(3) Dia do Julgamento
(4) A realidade do Inferno
(5) A Cruz de Cristo
(6) Necessidade de Arrependimento
(7) A esperança da Vida Eterna
Qualquer alternativa a essas verdades produzirá Joio e não Trigo.
Produzir Trigo é salvar uma alma, o que é mais difícil que produzir Joio. Para produzir Joio basta substituir os tópicos acima por:
Vamos para a igreja que Jesus vai te abençoar.
Eu creio sim que Jesus nos abênçoa, mas essa não deve ser a motivação a ser apresentada ao incrédulo. Basta apresentarmos a verdade e aquele que está em nós convencerá o incrédulo do PECADO, JUSTIÇA E JUIZO e não do MILAGRE, PROSPERIDADE E BENÇÃO. (João 16.8)
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Wesley Moreira é colaborador do Púlpito Cristão e edita o blog Wesmo.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

2
Santarrão. Antes de Jesus me converter eu nunca tinha ouvido falar dessa palavra. É um jargão da Igreja protestante usado para designar pessoas que basicamente ostentam uma aparência de santidade externa sendo pecadoras e que vivem pondo o dedo na cara dos outros por seus pecados. Em linguagem bíblica, seria gente com trave no olho mas que está sempre apontando o argueiro no olho dos outros. Pois bem, eu gostaria de confessar publicamente que sou um santarrão. Cheguei a essa conclusão depois de me analisar à luz da Bíblia. Mas vamos por partes. Tomando por exemplo a definição acima de “santarrão”, mostro aqui três constatações que me levaram a descobrir que sou um:
1. “Pessoas que basicamente ostentam uma aparência de santidade externa sendo pecadoras” – Começando pelo final da frase, confesso: eu sou um grande pecador. Sou pó, sou humano e carrego o pecado original. Nasci de novo em Cristo quando Ele me estendeu sua graça, mas isso não evita que todos os dias eu cometa uns 3 mil pecados. E isso antes de levantar da cama pela manhã. 1 João 1.8ss me denuncia: “Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça. Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós”. E, sendo eu um miserável pecador, confesso que apesar disso procuro sempre mostrar aparência de santidade. O que, aliás, é o que todo cristão faz, não? Ou você encontra seus irmãos em Cristo e eles saem gritando pelos corredores os pecados que cometeram? Usam camisas e bandanas onde se lê “Hoje eu menti” ou “Sou um tremendo glutão”? Os adesivos que põem em seus carros dizem “Invejoso e fofoqueiro a bordo”? Não. Porque nenhum cristão faz isso. Todos nós procuramos nos apresentar com aparência de santidade, mesmo nos conhecendo e sabendo do mal que em nós grita e viceja.  Todos.
2. “Que vivem pondo o dedo na cara dos outros por seus pecados” – Pensei bem e vi que também faço isso. Denuncio pastores hereges que arrastam multidões para o erro, alerto sobre os teólogos que ensinam doutrinas de demônios, chamo meus irmãos em Cristo para a responsabilidade com aquilo que creem. Curiosamente, mais uma vez ao fazer isso estou sendo bíblico: em 2 Timóteo 4.2 Paulo diz: “Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina”. Ele também fala em  1 Timóteo 5.1: “Não repreendas ao homem idoso; antes, exorta-o como a pai; aos moços, como a irmãos”. Novamente repete a ordem em Tito 2.6: “Quanto aos moços, de igual modo, exorta-os para que, em todas as coisas, sejam criteriosos”.  No mesmo Tito 2.15 prossegue: “Dize estas coisas; exorta e repreende também com toda a autoridade. Ninguém te despreze”. E ainda poderíamos concluir com mais palavras de Paulo em Romanos 12.8a: “o que exorta faça-o com dedicação”. Então vejo bastante base bíblica para exortar, admoestar. Ou, como disse, “pôr o dedo na cara”.
Aí você poderia dizer: “Ah, Zágari, mas quem falou tudo isso foi o grande apóstolo Paulo, ele era um santo, tinha moral para isso. Que moral você tem?”. Eu rio ao ouvir isso, pois é curioso que as pessoas não percebem quão pecador Paulo era. Dou só três exemplos bíblicos. Em 2 Coríntios 12, o apóstolo conta que Deus o arrebatou ao Paraíso, onde “ouviu palavras inefáveis, as quais não é lícito ao homem referir”. Só que Deus sabia que Paulo era humano e que estava passível de sentir soberba por aquilo, pecador que era. Então o que o Todo-Poderoso faz? “E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte”. Para ajudar Paulo a combater o autoengrandecimento, o Senhor põe o tal espinho na carne dele. Para auxiliá-lo a não pecar pela soberba.
Segundo exemplo da pecaminosidade de Paulo: em Gálatas 2.11  ele confessa: “Quando, porém, Cefas veio a Antioquia, resisti-lhe face a face, porque se tornara repreensível”. Em outras palavras, Paulo teve um belo de um bate-boca com Pedro. Parece que o apóstolo tinha lá seus momentos de pega-pra-capar com os irmãos. E se essas duas provas não bastam e parecem especulativas, vamos ao terceiro exemplo: Atos 15 revela que o cabeça-quente Paulo mais uma vez entrou em uma briga com um irmão: “Alguns dias depois, disse Paulo a Barnabé: Voltemos, agora, para visitar os irmãos por todas as cidades nas quais anunciamos a palavra do Senhor, para ver como passam. E Barnabé queria levar também a João, chamado Marcos. Mas Paulo não achava justo levarem aquele que se afastara desde a Panfília, não os acompanhando no trabalho. Houve entre eles tal desavença, que vieram a separar-se”. Note que a expressão “tal desavença” mostra que não foi uma simples discordância, mas uma divergência tão feia que fez a dupla de irmãos missionários rachar. Sim, Paulo estava sujeito a soberba, a brigas e desavenças com irmãos na fé: tudo pecado.
3. “Gente com trave no olho mas que está sempre apontando o argueiro no olho dos outros” – Já disse: sou um tremendo pecador. Se eu cruzasse comigo na rua provavelmente atravessaria para a calçada do outro lado. Sei o mal que há em mim. No meu olho há uma trave maior do que a do Maracanã. E sim, como eu disse, estou sempre apontando o erro dos outros, dizendo qual é o cantor gospel cuja letra é mundana, falando que o sacerdote x ou y ensina teologias demoníacas e anticristãs – como a da Prosperidade, a Relacional, a da Confissão Positiva, a Liberal e outros pensamentos  que por fora se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia. Eu faço isso, basta ler meus posts aqui no blog APENAS. No meu livro “A Verdadeira Vitória do Cristão”, então, sai de baixo, denuncio o triunfalismo mentiroso dos pregadores hereges e manipuladores da primeira à última página – com provas bíblicas e históricas. Como amo Cristo e a Igreja, vivo apontando o argueiro nos olhos dos enganadores do povo de Deus, dos que usam dinheiro sagrado em benefício próprio, das celebridades gospel arrogantes, dos pastores vaidosos, dos lobos em pelo de cordeiro. Confesso: sim, eu faço isso.
Portanto, cumpro todos os requisitos para ser chamado de santarrão: peco, busco ter aparência de santidade, denuncio o pecado alheio. Taí, inegável, sou mesmo um santarrão. Porém…
…essa constatação nos leva a uma ponderação: como sou um santarrão devo me calar? Fechar o APENAS? Deixar de escrever livros? Deixar de proclamar o Evangelho? Isso faz de mim alguém  indigno de anunciar as verdades do Reino e a salvação por Cristo? Eis o ponto. Independentemente de eu ser um santarrão, Deus continua sendo Deus, Jesus continua sendo o caminho, o pecado continua sendo pecado. Um aspecto interessantíssimo que 1 Pedro 1.12 nos revela é que os anjos pediram a Deus o privilégio de anunciar o Evangelho. Faria sentido: seres sem pecado pregarem contra o pecado. Mas, veja você, quem é que o Altíssimo comissiona para proclamar as boas-novas de salvação, a santidade, o mau cheiro do pecado? Marcos 16 e Mateus 28 deixam claro que essa grande comissão foi delegada aos homens pecadores. Extraordinário. Pecadores necessitados de arrependimento denunciando o pecado de pecadores e os chamando ao arrependimento. Isso é hipocrisia? Se for, meu irmão, minha irmã, eu e você que anunciamos – sendo pecadores – que o pecador necessita se arrepender dos pecados e se voltar para Cristo somos gigantescos hipócritas.
E, sabendo que todo homem peca, todo cristão busca a aparência de santidade e que todo salvo para proclamar o plano de salvação teria de pôr o dedo na cara do pecador, sendo ele próprio pecador, e dizer “arrependa-se dos seus pecados”, é justamente a todo homem manchado pelo pecado que Deus ordena que proclame a salvação por meio do Cordeiro sem mácula. Não é fascinante?
Em 2 mil anos de História da Igreja houve milhões e milhões de cristãos que proclamaram o Evangelho. Que chamaram pecadores ao arrependimento em Cristo. E absolutamente todos eles eram tremendos pecadores. Paulo: pecador, soberbo, brigão, mas é esse o homem que escreve sobre o amor em 1 Coríntios 13. Pedro: impulsivo, cortou a orelha de Malco, negou Cristo três vezes, e é esse que escreve na Bíblia: “segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento, porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo”. Tremendos santarrões.
Mas vamos além: Agostinho, o grande teólogo dos primeiros mil anos de Igreja, era um conhecido rabo de saia.  Lutero, o grande Reformador, vivia bêbado. Calvino, o teólogo da Reforma, ajudou a condenar um homem à pena de morte. Consta que John Wesley viajava tanto para pregar porque vivia às turras com a esposa e viajar era um alívio. Charles Spurgeon (conhecido como “o príncipe dos pregadores”) era um fumante convicto e pufava montes de charutos por dia, a ponto de ter defendido esse hábito de púlpito e dito que “fumava para a glória de Deus”. Dietrich Bonhoeffer, mártir da Igreja no século 20, arquitetou planos para assassinar Hitler. Mauricio Zágari, escritor de alguns livros cristãos, tem tantos pecados que não caberiam num post. E você, será que se enxerga no meio de tão grande nuvem de testemunhas… pecadoras? Todos chamados por Deus para de alguma forma proclamar o Evangelho, a Cruz, a santidade, o arrependimento de pecados, Jesus Cristo. Todos poços de pecados. Logo, todos santarrões.
Sim, eu peco. Sim, procuro manter a aparência de santidade mesmo pecando. Sim, eu denuncio os erros dos outros tendo eu muitos erros. Sim, eu sou um santarrão. Mas Deus é Deus, independente de mim, e eu amo a mensagem da Cruz. E até morrer eu a vou proclamar.
Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Dúvidas que Tenho Sobre os Liberais



Os liberais gostam de se apresentar como pessoas que não têm certeza de coisa alguma. Fiéis à incerteza, a qual consideram a essência da erudição, e convencidos de que a dúvida é a única postura intelectual e espiritual aceitável, olham com um misto de desprezo e piedade para os simplórios que manifestam ter certeza de alguma coisa no âmbito espiritual e teológico.
Concordo com os liberais que há muitas coisas no âmbito espiritual e teológico que permanecem em aberto e sobre as quais só é possível tecer conjecturas. Eu mesmo tenho muitas dúvidas. Uma parte delas é sobre as dúvidas dos liberais. Menciono algumas delas aqui:
  1. Tenho dúvida se os crentes do Antigo e do Novo Testamento viviam nessa atitude de constante dúvida, sem jamais ter certeza das coisas relacionadas a Deus. Pelo que lemos, profetas e apóstolos falaram com plena convicção “Assim diz o Senhor” e estavam dispostos a morrer com essa declaração em seus lábios. Semearam a certeza que Deus havia falado e que sua vontade havia sido manifestada, e que era tão clara que o povo podia obedecê-la.
  2. Eu tenho dúvidas se os liberais sabem direito o que fazer com passagens da Bíblia onde se encontram testemunhos de certeza, convicção e fé. Paulo, como os profetas do Antigo Testamento, estava absolutamente certo de muitas coisas acerca de Deus. Ele sabia em quem tinha crido, estava totalmente seguro de que sua mensagem era a mensagem definitiva da parte de Deus (Gálatas 1), sabia que ao morrer estaria com Jesus Cristo (Filipenses 1), para mencionar apenas uns exemplos que me ocorrem agora. João, por sua vez, escreveu seu Evangelho e suas cartas para que os leitores soubessem que tinham a vida eterna, aqueles que criam em Jesus Cristo (João 21; 1João 5). Já o escritor de Hebreus constantemente enfatiza a certeza dos cristãos (Hebreus 6.11; 10.22; 11.1).
  3. Tenho dúvida se os liberais, quando assumem a cátedra em uma instituição de ensino teológico, tenham como objetivo contribuir humildemente para a formação teológica de seus alunos. Tenho dúvidas se a sua primeira ocupação não seja a de arrancar as certezas que porventura seus alunos crentes e ingênuos ainda tenham. Ao que parece, já que estão convencidos de que a certeza é fruto da ignorância, os liberais têm como alvo principal desconstruir a fé de seus pupilos, com o objetivo de torná-los eruditos, educados e acadêmicos, para que saiam das trevas da convicção para a luz das incertezas perpétuas. Não são poucos os relatos que conheço de crentes que após ingressarem em certos seminários e em cursos de teologia, passaram a não acreditar mais em nada – ou a viver em constante estado de dúvida quanto aos pontos fundamentais do Cristianismo, e sem referências morais.
  4. Tenho dúvida se os liberais realmente acreditam em qualquer das verdades ensinadas pelo Cristianismo histórico. Uma vez instalados nas cátedras, os liberais começam explicando aos seus alunos que a ciência já demonstrou que a criação do mundo, os milagres e a ressurreição relatados na Bíblia nunca de fato existiram da forma como narrados. Ensinam que a exegese científica já detectou que os relatos dos Evangelhos refletem mais a fé das comunidades que os produziram do que a realidade dos fatos. Declaram ainda que as grandes doutrinas do Cristianismo, como a Trindade e a divindade de Cristo, são resultado da influência da filosofia grega, particularmente a platônica, no pensamento dos grandes teólogos cristãos que elaboraram os credos que servem de base para a Cristandade.
  5. Também tenho dúvidas se após todo esse trabalho de demolição dos fundamentos da fé e da certeza, os liberais tenham alguma coisa para oferecer a seus alunos a não ser a sua própria dúvida e incerteza. Semeando a dúvida, fazem discípulos duas vezes mais cheios de dúvidas e incertezas do que eles.
  6. Tenho dúvidas ainda quanto ao motivo pelo qual os liberais insistem em ficar dentro das denominações evangélicas, além da sobrevivência financeira, é claro. Talvez seja somente a tradição protestante. Talvez se considerem cristãos porque fazem parte de instituições que historicamente estão ligadas ao movimento cristão. Eles mesmos não estão certos quanto ao que a Bíblia ensina sobre Jesus Cristo, mas para eles isso não é importante. O que importa é pertencer à comunidade que historicamente vem se associando ao nome dele.
  7. Será por isso que os liberais são ecumênicos? Eles acham que o Catolicismo romano, desde o período medieval até hoje, é uma expressão legítima do verdadeiro Cristianismo. Talvez a Reforma protestante, pela qual parecem pedir desculpas aos católicos por ter ocorrido, represente para eles um movimento dissidente motivado por questões políticas, econômicas e pessoais. Tenho dúvida se faça alguma diferença para os liberais o que os reformadores acreditaram ou não. Para eles, católicos e protestantes estão unidos pela tradição e pela história, e as diferenças doutrinárias entre eles, como a justificação pela fé, é resultado da ignorância e da arrogância daqueles que acham que podem alcançar a verdade com algum grau de certeza nesse mundo. Isso faz sentido, já que os liberais consideram toda certeza como fruto da ignorância e da arrogância. Somente os ignorantes e os arrogantes professam confiantemente pontos doutrinários acerca de Deus, de Cristo e do mundo e resolvem brigar por eles. Eles é que são os responsáveis pelas grandes divisões que existem no Cristianismo.
  8. Duvido da dúvida dos liberais. Acho que está mais para falsa humildade e incredulidade travestida de postura acadêmica e científica. No final, os liberais têm um monte de certezas e convicções, a começar de que sua missão na vida é extirpar toda certeza. Duvido também que a dúvida deles um dia os conduza à verdade. Quem duvida em busca da verdade, quando a encontrar deve por coerência duvidar se realmente a encontrou. A sua busca nunca terá fim.
  9. Tenho dúvidas se na raiz dessa atitude de incerteza perene se encontra uma atitude científica ou a nossa velha e conhecida incredulidade. Os que realmente contribuíram para a construção do Cristianismo foram aqueles que estavam certos daquele em quem tinham crido. Os semeadores da dúvida nunca deram realmente qualquer contribuição para o crescimento do Reino de Deus, para a plantação de mais igrejas, para a abertura de novos campos missionários, para a conversão de pecadores e para a reforma da sociedade.
  10. Duvido da integridade intelectual de quem adota a dúvida como método para encontrar a verdade quando antes já tem alguma certeza – inclusive da existência de Deus. Somente agnósticos podem usar esse método de forma coerente. Teólogos cristãos, especialmente reformados, que adotam essa postura, são uma contradição em si mesmos.
Essas são minhas dúvidas quanto à eterna recusa dos liberais de afirmar alguma coisa com convicção. Não estou dizendo que podemos ter plena certeza de todas as coisas e que é possível ter uma explicação para tudo. Afirmar isso seria realmente arrogância e ignorância. Não estou negando a necessidade de termos uma mentalidade crítica e de submeter à análise todas as proposições e declarações na área de teologia. Por outro lado, há muita coisa da qual podemos ter certeza, se formos observar o testemunho seguro dos crentes do Antigo e do Novo Testamento.

Nem Tomé pode ser considerado o primeiro liberal, pois, tendo duvidado a princípio, afinal veio a crer na revelação de Jesus. A mente liberal, em contraste, é como uma boca aberta, que nunca se fecha sobre algo sólido para mastigar e alimentar-se. Afinal, a fé não é de todos.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010


Ele veio a fim de se encarnar e nos redimir para que pudesse nos investir em seu reino. Ele era pobre e nos fez ricos (2Co 8.9). Ele nasceu de uma virgem para que pudesse nascer de Deus. Ele tomou nossa carne para que pudesse nos dar seu Espírito. Ele se deitou numa manjedoura para que pudesse descansar no paraíso. Ele desceu do céu para que pudesse nos levar ao céu. E tudo isso foi por amor. Se os nossos corações não forem como rochas, esse amor de Cristo nos constrangerá. O amor de Cristo excede todo o entendimento (Ef 3.19).

Veja que maravilhosa humildade a de Cristo. Cristo se fez carne. "Oh! que santa humildade o Filho de Deus descer no ventre de Maria!", disse Agostinho. Oh! que humildade infinita o fato de Cristo se vestir com nossa carne, um pedaço desta terra onde andamos! Cristo se vestir com nossa carne foi um dos aspectos mais difíceis de sua humilhação. Ele se humilhou muito mais ao nascer do útero de uma virgem que ao ficar pendurado na cruz. O homem Cristo morrer já seria muito, mas Deus se tornar homem foi a maravilha da humilhação: "tornando-se em semelhança de homens" (Fp 2.7). Cristo se encarnar foi uma humilhação maior do que os anjos se tornarem vermes. A carne de Cristo é chamada de véu em Hebreus 10.20. "Pelo véu, isto é, pela sua carne." Ao vestir nossa carne, Cristo colocou um véu sobre sua glória. Ter se tornado carne, aquele que era igual a Deus: veja que humilhação. "Pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus" (Fp 2.6). Ele estava em pé de igualdade com Deus, era da mesma essência e da mesma substância com seu Pai, assim como Agostinho, Cirilo e o Concílio de Nicéia expressaram. Porém, apesar de tudo, ele tomou a nossa carne. Ele se despiu das vestimentas de sua glória e se cobriu com os trapos de nossa humanidade. Se Salomão achou impressionante Deus habitar no templo que era enriquecido e enfeitado com ouro, ainda mais nós, ficaríamos impressionados pelo fato de Deus habitar a natureza humana frágil e fraca.

Ainda maior humilhação é que Cristo não somente tomou nossa carne, mas o fez na pior situação, sob desgraça. Como um servo que voltaria a vestir uma farda mesmo sendo deposto por alta traição. Apesar de tudo isso ele tomou as enfermidades de nossa carne. Há dois tipos de enfermidade: o pecado sem dor e a dor sem pecado. A primeira dessas enfermidades Cristo não tomou sobre si, que foi a enfermidade pecaminosa, que é ser invejoso ou ambicioso. Mas ele tomou sobre si as enfermidades dolorosas como:

(i)      a fome. Ele se aproximou de uma figueira e ia comer de seu fruto (Mt 21.18,19).

(ii)     O cansaço. Sentou-se no poço de Jacó para descansar (Jo 4.6).

(iii)    O sofrimento. "A minha alma está profundamente triste até à morte" (Mt 26.38). Era um sofrimento dirigido pela razão e não afetado pela paixão.

(iv)    O medo. "Tendo sido ouvido por causa da sua piedade" (Hb 5.7).

Um grau ainda maior da humilhação de Cristo foi que ele não só
encarnou, mas foi feito à semelhança da carne pecadora: "Aquele que não conheceu o pecado, ele o fez pecado por nós" (2Co 5.21). Ele era como um pecador, pois tinha todo o pecado sobre si, embora pecado algum houvesse nele: "Foi contado com os transgressores" (Is 53.12). Aquele que foi contado entre as pessoas da Trindade, agora foi "oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados de muitos" (Hb 9.28). Esse foi o grau mais baixo da humilhação de Cristo, pois Cristo ser considerado como pecador era o maior grau de humilhação. Cristo, que não suportou o pecado dos anjos, deveria suportar o pecado imputado a ele, o que é a mais impressionante humilhação de todas.

De tudo isso, aprenda a ser humilde. Depois de ver Cristo se humilhar, você ainda é orgulhoso? Um santo humilde é que é a imagem de Cristo. Cristãos, não sejam orgulhosos. Você tem uma propriedade? Não seja orgulhoso. A terra onde caminha é mais rica do que você. Ela tem minas de ouro e prata em seu seio. Você tem beleza? Não seja orgulhoso. E somente ar e poeira misturados. Você tem habilidades e talentos? Seja humilde. Lúcifer tem mais conhecimento do que você. Você tem graça? Seja humilde. Isso que você tem não é próprio, é emprestado. Não seria uma tolice ficar orgulhoso de um anel que é emprestado? (ICo 4.7). Você tem mais pecado do que graça, mais manchas do que beleza. Olhe para Cristo, esse raro padrão, e seja humilde. E algo estranho ver Deus se humilhando e o homem se exaltando, ver um Salvador humilde e um pecador orgulhoso. Deus odeia a mera aparência do orgulho. Ele não receberá mel no sacrifício (Lv 2.11). O fermento é amargo, então por que a ausência do mel? Porque quando o mel é misturado com a farinha, ou o mingau, faz que a massa cresça e inche, portanto o mel não deve fazer parte. Deus odeia a aparência do pecado do orgulho; é melhor carecer de talentos e do consolo do Espírito que da humildade. "Se Deus não poupou os anjos quando ficaram orgulhosos, poupará você que é somente pó e podridão?", disse Agostinho.

3.      Contemple um enigma sagrado ou um paradoxo. "Deus se manifestou na carne." O fato de o homem ser feito à imagem de Deus é algo maravilhoso, mas Deus ser feito à imagem do homem é ainda mais impressionante. Que o Ancião de dias nascesse, que aquele que troveja nos céus tivesse de chorar em um berço, que aquele que reina e governa as estrelas tivesse de sugar o peito, que uma virgem concebesse, que Cristo viesse de uma mulher que ele mesmo criou, que o galho pudesse dar vida à vinha, que a mãe fosse mais jovem que o filho em seus braços e a criança em seu ventre maior que a mãe; que a natureza humana não fosse Deus, mas uma com Deus; isso tudo não é somente "espantoso, mas também miraculoso". Cristo se encarnar é um mistério que nunca entenderemos totalmente até que cheguemos ao céu, quando nossa razão se aclarará assim como nosso amor se aperfeiçoará.

4.      Por isso, aprenda que "Deus se manifestou na carne", Cristo nasceu de uma virgem, algo não somente estranho em sua essência, mas quase impensável. Aprenda que não há impossíveis para Deus. Deus pode fazer acontecer coisas que estão acima da possibilidade natural realizar, coisas como o machado boiar, a rocha brotar água e o fogo sugar a água nas calhas (lRs 18.38). É natural a água consumir o fogo, mas o fogo consumir a água é impossível no curso da natureza, mas Deus pode fazer acontecer tudo isso. "Acaso, haveria coisa demasiadamente maravilhosa para mim?" (Jr 32.27). "Se isto for maravilhoso aos olhos do restante deste povo naqueles dias, será também maravilhoso aos meus olhos? - diz o SENHOR dos Exércitos" (Zc 8.6).

Como Deus se uniria em nossa carne? É impossível para nós, mas não para Deus. Ele pode fazer o que transcende à razão e excede à fé. Ele não poderia ser nosso Deus se não pudesse fazer mais do que podemos pensar (Ef 3.20). Ele pode reconciliar inimigos. Nós nos desanimamos diante daquilo que parece impossível para nós. Como nos entristecemos dentro de nós quando as coisas não fazem sentido. Somos como aquele rei que disse: "Ainda que o SENHOR fizesse janelas no céu, poderia suceder isso?" (2Rs 7.2). Era uma época de fome. Uma medida de trigo, que era uma boa parte de um bushel, deveria ser vendida por um xequel, metade de uma onça de prata. Como poderia ser aquilo? Assim, quando as coisas estão confusas ou estranhas, o próprio povo de Deus questiona como poderá alcançar sucesso. Moisés, que era um homem de Deus, e uma das estrelas mais brilhantes que já cintilaram no firmamento da igreja de Deus, ficou desanimado diante das impossibilidades. "Respondeu Moisés: Seiscentos mil homens de pé é este povo no meio do qual estou; e tu disseste: Dar-lhes-ei; carne, e a comerão um mês inteiro. Matar-se-ão para eles rebanhos de avelhas e de gados que lhes bastem? Ou se ajuntarão para eles todos os peixes do mar que lhes bastem?" (Nm 11.21,22). Como se ele dissesse claramente que não podia ver como o povo de Israel, sendo tão numeroso, poderia ser alimentado por um mês. "Porém o SENHOR respondeu a Moisés: ter-se-ia encurtado a mão do SENHOR?" (Nm 11.23). Deus fez Isaque nascer de um útero amortecido, o Messias saiu de um ventre de uma virgem. O que ele não pode fazer?

Descansemos sobre os braços do poder de Deus e acreditemos nele, no meio de aparentes impossibilidades. Lembre-se: "Não há impossíveis para Deus". Ele pode subjugar um coração orgulhoso, pode ressuscitar uma igreja morta. Cristo nasceu de uma virgem. O Deus que opera maravilhas foi quem fez isso e pode vencer as maiores aparentes impossibilidades aos nossos olhos

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Esqueletos no armário

Existe algum compartimento de sua vida que você gostaria de esconder? Talvez um fundo falso, onde guarda algo que deseja manter em segredo. Um defunto tão antigo que já virou esqueleto, ou se transformou em fóssil.

O elo perdido entre a utopia e a realidade.

Quando transitava pelas avenidas, becos e esquinas de Tessalônica, Paulo nem tirava o pijama, indumentária que usamos apenas na frente de pessoas íntimas. Ele escancarava portas, aplainava os caminhos, demolia as barreiras e liberava os pedágios para quem desejava fazer uma viagem turística pelo seu interior. "... Porque vós, irmãos, sabeis, pessoalmente, que a nossa estada entre vós não se tornou infrutífera".

Um relacionamento pessoal é extremamente revelador. Pode ser que alguém, temendo que algum focinho resolva farejar o buraco da sua fechadura, coloque púlpitos, telinhas de TV, títulos, pedestais e seguranças armados entre eles e os seus auditórios.

Cuidamos para que o nosso transito por algumas vias relacionais seja sempre de mão única, ou seja, de mim para lá, jamais de lá para mim. Este tipo de direção é extremamente defensiva, mas evita da gente bater de frente com "algum cara jamanta".

Quem precisa esconder um pecado, por menor que seja, não se expõe aos perigos de uma convivência próxima. Paulo, andava na contramão só para ver e ser visto de frente. Olho no olho! Ele disse que os tessalonicenses o conheciam "pessoalmente" e sabiam como os frutos eram colhidos.

Eu já preguei em alguns palcos de onde ficava difícil ver o rosto das pessoas que sentavam-se depois da quinta fileira. Dali de cima é fácil convencer as pessoas de que somos espirituais, mas de onde é impossível exercer algum tipo de pastoreamento.

"... mas, apesar de maltratados e ultrajados em Filipos, como é do vosso conhecimento, tivemos ousada confiança em nosso Deus, para vos anunciar o evangelho de Deus, em meio a muita luta".

Não esconda o jogo, mostre a sua cara. O Evangelho é para pessoas normais, pecadores.

Os sãos não precisam de médico.

Ubirajara Crespo

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

sábado, 7 de agosto de 2010

SE ALGUÉM CRITICA É PORQUE ESTÁ INCOMODANDO. OU PORQUE ALGO PODE ESTAR ERRADO.

Criticar alguém pode ser um ato cruel e injusto quando movido apenas pelo puro e simples desejo pessoal de atacar alguém sem maiores ou legítimas razões. A crítica pode ser uma atitude grosseira quando é um fim em si; um gesto reprovável quando é precipitada ou gratuita.

A crítica, entretanto, pode ter o seu valor quando é uma censura a um ato ou pensamento digno de reprovação. Neste caso, a crítica pode beneficiar a quem cometeu um erro, levando a refletir ou repensar a sua postura, ou até mesmo servir de alerta às demais pessoas para não caírem nos mesmos erros ou serem vítimas de enganos.

O meio evangélico parece ser avesso a qualquer tipo de crítica. Principalmente quando se trata de críticas feitas àqueles que se autodenominam “profetas de Deus”. Pessoas assim escondem-se atrás da uma equivocada interpretação bíblica do texto que diz não ser permitido tocar no ungido do Senhor. Aí qualquer um se julga no direito de assumir a posição intocável de “ungido do Senhor” e se coloca acima da possibilidade da crítica. Os excessos estão aí por toda a parte.

Criticar e censurar são atitudes próprias de quem não concorda com certas práticas. Não há nada de errado na crítica, desde que ela tenha um padrão confiável no qual se apóie. A crítica ou censura precisa conduzir a um padrão último e inquestionável. Se o padrão for desrespeitado, qualquer que seja o infrator e quaisquer que sejam as razões, a crítica se fará necessária para que se mantenha e defenda o padrão.

Martinho Lutero foi um crítico. Seu ato de protesto foi um gesto de crítica ao status quo da Igreja medieval. Um ato de protesto baseado no padrão indiscutível da Escritura. Haveria, por certo, quem se julgasse acima de quaisquer críticas na igreja do seu tempo. Mas diante do crivo da Escritura, ninguém permanece intocável se a ela não se render e submeter humildemente.

Assistindo a um programa do Silas Malafaia, observei a maneira como ele explica e se esquiva das críticas recebidas por causa dos seus efusivos apelos em favor de ofertas para o seu ministério: “Se criticam é porque está incomodando”. Logo, conforme o silogismo malafaista, se está incomodando é porque Deus está de acordo. Tenho lá minhas dúvidas a respeito disto. Ou, para ser justo ao texto, tenho lá minhas críticas.

Melhor seria se pudéssemos fazer uma avaliação mais sensata das coisas. Se alguém está criticando a postura assumida pelo senhor Malafaia, pode ser porque tem algo estranho nessa postura; pode ser porque não seja bíblico; pode ser porque não esteja correto. Por que a crítica ao Malafaia se transforma em um atestado de validação ao que ele faz? Se há pessoas criticando – e eu tenho certeza de que há gente muito séria e piedosa fazendo isto – talvez seja hora de repensar a direção, não é verdade? De onde vem tanta certeza de que suas decisões vêm de Deus? De onde vem tanta convicção de que as críticas são atestados de validação de seus atos?

As críticas, senhor Malafaia, podem ser um aviso de Deus também. Várias vezes Deus levantou críticos a fim de alertar seus servos a mudarem seus caminhos. Os que ouviram as críticas e souberam reconhecê-las humildemente foram preservados de grandes tribulações. Os que se mantiveram “intocáveis” às críticas conheceram os tristes resultados da vaidade auto-confiante. Se a crítica fosse um atestado de que as coisas estão corretas a Igreja nunca teria sido reconduzida ao caminho da Escritura e Lutero teria entrado para a história como um tolo. E nós sabemos muito bem quem estava com a razão.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

O Verdadeiro Evangelho - Paul Washer (1/9)

Novos Evangélicos?!

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A revista Época desta semana (7/8/10) traz reportagem de capa sobre a reação de diversos segmentos da igreja evangélica ao crescimento das igrejas neopentecostais. O artigo pode ser lido aqui:

O título é Os Novos Evangélicos e a capa é ilustrada com uma foto da construção de uma réplica do templo de Salomão que está sendo realizada pela Igreja Universal em São Paulo.

O artigo representa um avanço na maneira como a mídia em geral trata os evangélicos, como se fossem todos farinha do mesmo saco. E farinha imprestável. Ricardo Alexandre, o articulista, reuniu depoimentos de líderes evangélicos de diversos segmentos (incluiu um sociólogo ateu) e mostrou como todos eles concordam numa coisa: sua rejeição às doutrinas e práticas das igrejas neopentecostais e o desejo por uma mudança profunda nos atuais rumos da igreja evangélica brasileira.

Neste ponto, nada a reparar. De fato, de pentecostais a episcopais, reações contrárias a estas igrejas, consideradas como seitas por algumas denominações históricas(*), têm sido veiculadas abertamente por meio de blogs e livros. Já estava na hora da grande mídia ouví-las e entender que nem todos que fazem reuniões onde o nome de Cristo é citado são necessariamente evangélicos ou mesmo cristãos.

Eu só fiquei um pouco desconfortável com dois ou três pontos da matéria que cito aqui. Estou à vontade para isto uma vez que meu nome foi mencionado no artigo, ainda que de raspão.

1) Achei que o título do artigo na capa é um equívoco histórico, pois “novos evangélicos” se aplica mais exatamente a grupos como a IURD, Renascer e Igreja Mundial e não aos que estão reagindo a estes grupos. Eu não me considero um “novo evangélico” e sim um bem antigo, com raízes históricas na Reforma do séc. XVI e teológicas nas Escrituras Sagradas. Não tem nada de “novo” em nosso desejo de ver o antigo Evangelho ser pregado corretamente em nossa pátria. Estas seitas é que chegaram ontem. Todavia, entendo o autor. Estes grupos neopentecostais cresceram tanto e influenciaram tanto a mídia e a opinião pública que viraram o padrão. Eles é que são os “evangélicos”. Quem não é como eles e quer mudanças é visto como o novo, a novidade.

Num certo sentido foi isto que aconteceu na Reforma. Os reformadores foram acusados pelos papistas de estar trazendo “novidades” na igreja, ao pregar que a justificação era pela fé somente. Lutero e Calvino retrucaram que estavam pregando as antigas doutrinas da graça, encontradas nos Pais da Igreja e nos ensinos de Cristo e de Paulo. Eu entendo que para uma igreja como a de Roma, com vários séculos de existência, os protestantes pareciam nova seita. Mas convenhamos - considerar episcopais, presbiterianos e assembleianos como “novos evangélicos” é passar recibo para a pretensão destes grupos sectários de serem igreja evangélica legítima.

2) Também achei que pode ter ficado a impressão para leitores menos avisados que os reacionários estão unidos entre si e que se aceitam mutuamente, sem problemas. Antes fosse. Mas, nem sempre o inimigo do meu inimigo é meu aliado. Eu entendo que o foco do artigo é as igrejas da prosperidade. Mas não posso deixar de ressaltar que aqueles que se levantam contra os abusos destas seitas não são necessariamente aliados entre si. Na verdade, pode haver entre eles diferenças tão abissais como a que existe entre eles e as seitas da prosperidade.

3) Denunciar o erro dos outros não nos absolve dos nossos. Se por um lado as seitas neopentecostais espalham um falso evangelho deformado pela teologia da prosperidade, há os que também propagam um evangelho distorcido pelo liberalismo teológico e por heresias antigas. As seitas da prosperidade acabaram sendo demonizadas como a própria encarnação do anti-evangelho a ponto de, conforme o artigo de Época, se fazer necessária uma nova Reforma protestante. Não discordo deste ponto, apenas considero que o enfoque nele acaba desviando a atenção de outras linhas de pensamento dentro dos arraiais cristãos que são tão prejudiciais quanto a teologia da prosperidade e que igualmente clamam por uma Reforma.

Por exemplo: e aqueles que destroem a fé em Jesus Cristo e nos padrões morais do Cristianismo? A mídia fica indignada com o mercenarismo dos pastores destas seitas, mas aplaude os evangélicos que defendem o casamento gay, o aborto, a teoria da evolução contra o relato da criação, o relativismo moral, o sexo livre e o ecumenismo com todas as religiões. A mídia não consegue enxergar que liberalismo teológico e teologia da prosperidade são irmãos gêmeos e hipocritamente aplaude um e condena o outro.

Não me entendam mal. A reportagem está correta. É preciso deixar claro que estes grupos neopentecostais estão deturpando o Evangelho de Cristo. Porém, é tendenciosa. Retrata os neopentecostais como a raiz de todos os males no meio evangélico, esquecendo o dano feito pelos liberais, pelos defensores de outro deus e pelos libertinos.

4) Por último, acho que faltou mencionar que os chamados “novos evangélicos” concordam apenas que é preciso uma mudança, mas discordam entre si quanto ao modelo de igreja que deve ocupar o lugar desta seitas. A Reforma do séc. XVI, em que pesem as diferenças entre os reformadores principais, tinha uma mensagem relativamente uniforme e praticava um modelo de igreja que era basicamente o mesmo. É só comparar as confissões de fé escritas por presbiterianos, batistas, episcopais, congregacionais e independentes para se verificar este ponto. Já os tais “novos evangélicos”… bem, há entre eles desde os “desigrejados,” que desistiram completamente de qualquer coisa que se pareça com uma igreja, até aqueles que desejam apenas expurgar o modelo tradicional de igreja dos acréscimos indevidos em sua doutrina, culto e prática, mantendo a pregação, o batismo e a ceia e o exercício da disciplina para os membros faltosos.

E no meio ainda temos os emergentes, as igrejas em células sem liderança oficial, igrejas com liturgia inclusiva e por aí vai.

É aquela velha história. Grupos contrários se unem contra um inimigo comum e após vencê-lo começam a brigar entre si. A luta comum contra as igrejas da teologia da prosperidade está longe de representar uma nova Reforma. Quando esta luta terminar - se é que vai terminar um dia - teremos de continuar a outra, mais antiga, que é contra o liberalismo teológico fundamentalista, o relativismo moral, o pluralismo inclusivista e o libertinismo que assolam os evangélicos no Brasil muito antes de Edir Macedo abrir seu primeiro templo. Para mim, estas coisas são até mais perniciosas, pois enquanto que as seitas neopentecostais criam suas próprias igrejas e comunidades, os liberais se infiltram nas estruturas e igrejas criadas por conservadores e drenam seu vigor até deixar somente a carcaça.

(*) A Igreja Presbiteriana do Brasil, por exemplo, passou a considerar a IURD e a Igreja Mundial do Poder de Deus como seitas desde julho de 2010, exigindo que membros destes grupos sejam rebatizados ao ingressarem nas igrejas presbiterianas locais.

Autor: Augustus Nicodemus Lopes
Fonte: [ O Tempora, O Mores! ]

segunda-feira, 19 de julho de 2010

já disse não escrevo mais esta é uma perola maravilhosa. deleita-te

Desmascarando o Cristo falsificado


Um pensador antigo dizia: “A vida oferece apenas duas alternativas: crucificação com Cristo ou autodestruição sem ele”. Quando a originalidade é negligenciada, impera a falsificação. É o domínio das aparências: forma sem conteúdo. Sósia. O Cristo falsificado nada tem de Deus. Ele é diabólico e demoniza as relações. O germe da falsificação vem lá do Éden (Gn.3.1-5): distorção da Palavra de Deus; negação da Palavra de Deus; questionamento do caráter de Deus.

Quem é o Cristo falsificado?

O Cristo falsificado é um Cristo sem cruz: Ele não suporta a idéia da dor. Por isso assume a “prosperidade”. Ele é obcecado por medalhas e troféus. Ele abomina a renúncia – ou a falsifica – dando uma renúncia que não dói.

O Cristo falsificado é o Cristo das ilusões: É a pergunta de Paulo em Gl.3.1 “Quem vos fascinou?” Ele é uma espécie de mágico cósmico, cujo truque maior é alargar a distância entre ética e estética. Ele não suporta a verdade. Ele usa as ilusões, a sedução como fuga.

O Cristo falsificado é viciado em grandeza: Ele é míope! Não consegue enxergar o que é pequeno. Ele traz em si o delírio de Lúcifer. Ele compra a fé das pessoas. “Se me adorares...” A igreja de Simão. É viciado em suntuosidades, em castelos e pompas. Iludido pelas vitrines sedutoras da atualidade.

O Cristo falsificado muda de acordo com as circunstâncias: Ele é regido pela antiética do camaleão. Ele tira proveito de tudo, seu lema é “tirar vantagem de tudo”. Ele é o Cristo da malandragem, da máscara, da politicagem. É mestre na arte de enganar.

Diante disso surgem três perguntas:

1. Onde esse Cristo falsificado atua? No cristianismo adoecido.
2. Como desmascara-lo? Conhecendo e vivendo o Cristo autêntico.
3. Quem é o Cristo autêntico? Respondo a seguir:

O Cristo que nos ajuda a carregar a cruz: Um Cristo vitorioso, que baseado em sua vitória, nos garante êxito. Um Cristo que conhece as nossas fraquezas e dores, mas que nos dirige no aperfeiçoamento de nossa fé. Um Cristo que vai trocar nossa cruz de dores por uma coroa de glória!

O Cristo que nos guia na verdade: Um Cristo que é a verdade. Ele mesmo afirmou ser “a luz do mundo”. Um Cristo que nos livra da tirania das aparências, pois nos leva à sua própria imagem. Um Cristo que nos ilumina para que sejamos seus astros brilhando numa sociedade em trevas.

O Cristo dos pequenos: Um Cristo que ouve o gemido dos aflitos. Um Cristo da graça, que responde ao necessitado que clamar (Sl.72) Um Cristo que não olha o que temos, mas o que somos e seremos nele.

O Cristo que não muda: Um Cristo que não sofre com a passagem do tempo – Ele é Senhor do tempo. Um Cristo que não se vende de acordo com o momento. Ele é eterno. Um Cristo que não nos usa por política, mas por amor.

A qual Cristo estamos servindo? Que o Cristo autêntico ainda seja o nosso único e suficiente salvador e Senhor.


Até mais...


Alan Brizotti