terça-feira, 5 de junho de 2012


INFELIZMENTE, O JOIO TAMBÉM DIZIMA, OFERTA E VOTA‏


Por Wesley Moreira
Não estou escrevendo sobre o dízimo. Alias, acredito que os cristãos devam dizimar e ofertar. Meu ponto nesse texto é outro: Como testemunhar o evangelho com eficácia.
Somos Brasileiros e criativos. Portanto, sempre iremos improvisar em nossa maneira de testemunhar sobre o evangelho. Porém a criatividade não deveria nunca mudar o evangelho para algo mais aceitavel ou politicamente correto. Escrevi abaixo de “supetão” tudo aquilo que considero imprescindível para a pregação eficaz do evangelho. Eficácia para mim é o sucesso na produção de Trigo e não de Joio.
Com razão os crentes não são perseguidos pela pregação do evangelho. Por que o mundo perseguiria aqueles que o adulam com uma mensagem “mamão com açucar” que centraliza o homem como a Julieta de um Deus Romeu. Basta uma olhadinha no conteúdo da mensagem de João Batista para entender a razão dele morrer decapitado. Olhe para o que Jesus pregava abertamente aos Judeus para saber o motivo do ódio dos Saduceus contra Ele. Olhe para a mensagem dos apostolos em Atos para entender o porque eles eram açoitados e perseguidos pelos Judeus e Gentios. Jesus nunca disse “Eu te amo”, no singular, para ninguém nos evangelhos. Porque então as pessoas acreditam que dizer “Jesus te ama” é o mesmo que pregar o evangelho?
O Joio é mais fácil de produzir, e para nossa infelicidade, Joio também dizima, oferta, enche igreja e vota nas eleições, o que contribui como principal motivo para os líderes evangelicos buscarem o evangelismo massivo de Joio e não a mais metódica tarefa de produzir o precioso Trigo.
Afinal, em tempos que ópio e maconha dão muita grana, mas ainda são ilegais, a produção legal de Joio é muito tentadora. Por que se preocupar com a santidade da Igreja, da qualidade do evangelho que produz Trigo, se Joio é como mato, basta uma cruzada de milagres aqui, uma campanha de prosperidade ali que eles brotarão por toda parte, até por entre as brechas dos paralelepípedos?
Se Joio não dizimasse, ofertasse ou votasse, alguns líderes evangelicos estariam hoje pregando o evangelho que produz Trigo, ou talvez tentando um cargo politico.
Sou pentecostal desde que ser pentecostal signifique crêr nos dons do Espirito Santo e na atuação do mesmo hoje. Creio em prosperidade desde que esta não seja licensa para saquear o bolso dos fieis, mas aquela que vem pelo trabalho abençoado por Deus e da generosidade com o próximo menos favorecido. Creio em milagres desde que estes não sejam aqueles comercializados, mas apenas a manifestação expontânea da bondade de Deus aos que crêem.
Portanto a minha questão não é briga de direita e esquerda, nem teologia da prosperidade versus teologia da missão integral. Acredito que as duas são faces opostas da mesma moeda. As duas centralizam o homem, seja esse homem o próximo necessitado ou eu mesmo. Como afirmei anteriormente, Jesus nos evangelhos nunca disse a ninguém “Eu te amo” mas perguntou “Tú me Amas?” Pois Ele é o centro, nunca o homem, seja esse homem eu ou o próximo necessitado. Amar a Deus acima de todas as coisas vem antes de amar ao próximo ou de amar a sí mesmo. (Marcos 12:29) Em meu coração está o desejo de ver a verdade de Jesus manifesta ao mundo e do fundo da alma eu sei que tanto a teoria da prosperidade quanto a missão integral e suas vertentes deformam e destroem a verdade do evangelho de Jesus Cristo.
A única razão para a existência da Igreja é o testemunho da severidade e bondade de Deus. O mundo já foi condenado em Adão, a benignidade e bondade de Deus permitiu a humanidade viver para que alguns fossem salvos em Jesus Cristo. Esse é o contraste que deve sempre ser manifesto na pregação do evangelho: Adão X Jesus. Sem o conhecimento da queda ninguém buscará a salvação. E o conhecimento só vem através da lei que expõe a natureza de Adão em nós. A lei não nos salva, mas nos deixa completamente perdidos, sem justiça própria e ansiosos por salvação. A lei nos prepara para receber a graça. A graça nos salva e nos dá poder para sermos santos, a santidade nos torna filhos de Deus, e os filhos de Deus herdam a Vida Eterna.
Há duas testemunhas, duas oliveiras, dois testamentos, Israel e a Igreja que testificam das verdades resumidas nos seguintes assuntos:
Deus é Santo – A criação reflete o criador – Deus exige santidade de sua criação – Adão pecou por livre vontade e expos a criação – Em Adão o mundo foi julgado e condenado – Deus deu a lei como medida para a nossa realidade de seres caídos – Jesus Cristo pagou por nossos pecados – Deus oferece em Jesus uma oportunidade única de Salvação – Arrependimento e novo nascimento são necessários – A Graça nos dá poder para sermos santos – É necessário perseverar e vigiar desenvolvendo a salvação diariamente – Quem é nascido de novo compartilha o evangelho com os demais – Jesus voltará para Julgar e tomar posse do Seu Reino – Os que crêem e vigiam esperando a Sua vinda viverão em santidade pela eternidade.
O esqueleto de toda pregação do evangelho deve conter os seguintes tópicos:
(1) A Santidade de Deus
(2) 10 Mandamentos
(3) Dia do Julgamento
(4) A realidade do Inferno
(5) A Cruz de Cristo
(6) Necessidade de Arrependimento
(7) A esperança da Vida Eterna
Qualquer alternativa a essas verdades produzirá Joio e não Trigo.
Produzir Trigo é salvar uma alma, o que é mais difícil que produzir Joio. Para produzir Joio basta substituir os tópicos acima por:
Vamos para a igreja que Jesus vai te abençoar.
Eu creio sim que Jesus nos abênçoa, mas essa não deve ser a motivação a ser apresentada ao incrédulo. Basta apresentarmos a verdade e aquele que está em nós convencerá o incrédulo do PECADO, JUSTIÇA E JUIZO e não do MILAGRE, PROSPERIDADE E BENÇÃO. (João 16.8)
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Wesley Moreira é colaborador do Púlpito Cristão e edita o blog Wesmo.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

2
Santarrão. Antes de Jesus me converter eu nunca tinha ouvido falar dessa palavra. É um jargão da Igreja protestante usado para designar pessoas que basicamente ostentam uma aparência de santidade externa sendo pecadoras e que vivem pondo o dedo na cara dos outros por seus pecados. Em linguagem bíblica, seria gente com trave no olho mas que está sempre apontando o argueiro no olho dos outros. Pois bem, eu gostaria de confessar publicamente que sou um santarrão. Cheguei a essa conclusão depois de me analisar à luz da Bíblia. Mas vamos por partes. Tomando por exemplo a definição acima de “santarrão”, mostro aqui três constatações que me levaram a descobrir que sou um:
1. “Pessoas que basicamente ostentam uma aparência de santidade externa sendo pecadoras” – Começando pelo final da frase, confesso: eu sou um grande pecador. Sou pó, sou humano e carrego o pecado original. Nasci de novo em Cristo quando Ele me estendeu sua graça, mas isso não evita que todos os dias eu cometa uns 3 mil pecados. E isso antes de levantar da cama pela manhã. 1 João 1.8ss me denuncia: “Se dissermos que não temos pecado nenhum, a nós mesmos nos enganamos, e a verdade não está em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça. Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós”. E, sendo eu um miserável pecador, confesso que apesar disso procuro sempre mostrar aparência de santidade. O que, aliás, é o que todo cristão faz, não? Ou você encontra seus irmãos em Cristo e eles saem gritando pelos corredores os pecados que cometeram? Usam camisas e bandanas onde se lê “Hoje eu menti” ou “Sou um tremendo glutão”? Os adesivos que põem em seus carros dizem “Invejoso e fofoqueiro a bordo”? Não. Porque nenhum cristão faz isso. Todos nós procuramos nos apresentar com aparência de santidade, mesmo nos conhecendo e sabendo do mal que em nós grita e viceja.  Todos.
2. “Que vivem pondo o dedo na cara dos outros por seus pecados” – Pensei bem e vi que também faço isso. Denuncio pastores hereges que arrastam multidões para o erro, alerto sobre os teólogos que ensinam doutrinas de demônios, chamo meus irmãos em Cristo para a responsabilidade com aquilo que creem. Curiosamente, mais uma vez ao fazer isso estou sendo bíblico: em 2 Timóteo 4.2 Paulo diz: “Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina”. Ele também fala em  1 Timóteo 5.1: “Não repreendas ao homem idoso; antes, exorta-o como a pai; aos moços, como a irmãos”. Novamente repete a ordem em Tito 2.6: “Quanto aos moços, de igual modo, exorta-os para que, em todas as coisas, sejam criteriosos”.  No mesmo Tito 2.15 prossegue: “Dize estas coisas; exorta e repreende também com toda a autoridade. Ninguém te despreze”. E ainda poderíamos concluir com mais palavras de Paulo em Romanos 12.8a: “o que exorta faça-o com dedicação”. Então vejo bastante base bíblica para exortar, admoestar. Ou, como disse, “pôr o dedo na cara”.
Aí você poderia dizer: “Ah, Zágari, mas quem falou tudo isso foi o grande apóstolo Paulo, ele era um santo, tinha moral para isso. Que moral você tem?”. Eu rio ao ouvir isso, pois é curioso que as pessoas não percebem quão pecador Paulo era. Dou só três exemplos bíblicos. Em 2 Coríntios 12, o apóstolo conta que Deus o arrebatou ao Paraíso, onde “ouviu palavras inefáveis, as quais não é lícito ao homem referir”. Só que Deus sabia que Paulo era humano e que estava passível de sentir soberba por aquilo, pecador que era. Então o que o Todo-Poderoso faz? “E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte”. Para ajudar Paulo a combater o autoengrandecimento, o Senhor põe o tal espinho na carne dele. Para auxiliá-lo a não pecar pela soberba.
Segundo exemplo da pecaminosidade de Paulo: em Gálatas 2.11  ele confessa: “Quando, porém, Cefas veio a Antioquia, resisti-lhe face a face, porque se tornara repreensível”. Em outras palavras, Paulo teve um belo de um bate-boca com Pedro. Parece que o apóstolo tinha lá seus momentos de pega-pra-capar com os irmãos. E se essas duas provas não bastam e parecem especulativas, vamos ao terceiro exemplo: Atos 15 revela que o cabeça-quente Paulo mais uma vez entrou em uma briga com um irmão: “Alguns dias depois, disse Paulo a Barnabé: Voltemos, agora, para visitar os irmãos por todas as cidades nas quais anunciamos a palavra do Senhor, para ver como passam. E Barnabé queria levar também a João, chamado Marcos. Mas Paulo não achava justo levarem aquele que se afastara desde a Panfília, não os acompanhando no trabalho. Houve entre eles tal desavença, que vieram a separar-se”. Note que a expressão “tal desavença” mostra que não foi uma simples discordância, mas uma divergência tão feia que fez a dupla de irmãos missionários rachar. Sim, Paulo estava sujeito a soberba, a brigas e desavenças com irmãos na fé: tudo pecado.
3. “Gente com trave no olho mas que está sempre apontando o argueiro no olho dos outros” – Já disse: sou um tremendo pecador. Se eu cruzasse comigo na rua provavelmente atravessaria para a calçada do outro lado. Sei o mal que há em mim. No meu olho há uma trave maior do que a do Maracanã. E sim, como eu disse, estou sempre apontando o erro dos outros, dizendo qual é o cantor gospel cuja letra é mundana, falando que o sacerdote x ou y ensina teologias demoníacas e anticristãs – como a da Prosperidade, a Relacional, a da Confissão Positiva, a Liberal e outros pensamentos  que por fora se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda imundícia. Eu faço isso, basta ler meus posts aqui no blog APENAS. No meu livro “A Verdadeira Vitória do Cristão”, então, sai de baixo, denuncio o triunfalismo mentiroso dos pregadores hereges e manipuladores da primeira à última página – com provas bíblicas e históricas. Como amo Cristo e a Igreja, vivo apontando o argueiro nos olhos dos enganadores do povo de Deus, dos que usam dinheiro sagrado em benefício próprio, das celebridades gospel arrogantes, dos pastores vaidosos, dos lobos em pelo de cordeiro. Confesso: sim, eu faço isso.
Portanto, cumpro todos os requisitos para ser chamado de santarrão: peco, busco ter aparência de santidade, denuncio o pecado alheio. Taí, inegável, sou mesmo um santarrão. Porém…
…essa constatação nos leva a uma ponderação: como sou um santarrão devo me calar? Fechar o APENAS? Deixar de escrever livros? Deixar de proclamar o Evangelho? Isso faz de mim alguém  indigno de anunciar as verdades do Reino e a salvação por Cristo? Eis o ponto. Independentemente de eu ser um santarrão, Deus continua sendo Deus, Jesus continua sendo o caminho, o pecado continua sendo pecado. Um aspecto interessantíssimo que 1 Pedro 1.12 nos revela é que os anjos pediram a Deus o privilégio de anunciar o Evangelho. Faria sentido: seres sem pecado pregarem contra o pecado. Mas, veja você, quem é que o Altíssimo comissiona para proclamar as boas-novas de salvação, a santidade, o mau cheiro do pecado? Marcos 16 e Mateus 28 deixam claro que essa grande comissão foi delegada aos homens pecadores. Extraordinário. Pecadores necessitados de arrependimento denunciando o pecado de pecadores e os chamando ao arrependimento. Isso é hipocrisia? Se for, meu irmão, minha irmã, eu e você que anunciamos – sendo pecadores – que o pecador necessita se arrepender dos pecados e se voltar para Cristo somos gigantescos hipócritas.
E, sabendo que todo homem peca, todo cristão busca a aparência de santidade e que todo salvo para proclamar o plano de salvação teria de pôr o dedo na cara do pecador, sendo ele próprio pecador, e dizer “arrependa-se dos seus pecados”, é justamente a todo homem manchado pelo pecado que Deus ordena que proclame a salvação por meio do Cordeiro sem mácula. Não é fascinante?
Em 2 mil anos de História da Igreja houve milhões e milhões de cristãos que proclamaram o Evangelho. Que chamaram pecadores ao arrependimento em Cristo. E absolutamente todos eles eram tremendos pecadores. Paulo: pecador, soberbo, brigão, mas é esse o homem que escreve sobre o amor em 1 Coríntios 13. Pedro: impulsivo, cortou a orelha de Malco, negou Cristo três vezes, e é esse que escreve na Bíblia: “segundo é santo aquele que vos chamou, tornai-vos santos também vós mesmos em todo o vosso procedimento, porque escrito está: Sede santos, porque eu sou santo”. Tremendos santarrões.
Mas vamos além: Agostinho, o grande teólogo dos primeiros mil anos de Igreja, era um conhecido rabo de saia.  Lutero, o grande Reformador, vivia bêbado. Calvino, o teólogo da Reforma, ajudou a condenar um homem à pena de morte. Consta que John Wesley viajava tanto para pregar porque vivia às turras com a esposa e viajar era um alívio. Charles Spurgeon (conhecido como “o príncipe dos pregadores”) era um fumante convicto e pufava montes de charutos por dia, a ponto de ter defendido esse hábito de púlpito e dito que “fumava para a glória de Deus”. Dietrich Bonhoeffer, mártir da Igreja no século 20, arquitetou planos para assassinar Hitler. Mauricio Zágari, escritor de alguns livros cristãos, tem tantos pecados que não caberiam num post. E você, será que se enxerga no meio de tão grande nuvem de testemunhas… pecadoras? Todos chamados por Deus para de alguma forma proclamar o Evangelho, a Cruz, a santidade, o arrependimento de pecados, Jesus Cristo. Todos poços de pecados. Logo, todos santarrões.
Sim, eu peco. Sim, procuro manter a aparência de santidade mesmo pecando. Sim, eu denuncio os erros dos outros tendo eu muitos erros. Sim, eu sou um santarrão. Mas Deus é Deus, independente de mim, e eu amo a mensagem da Cruz. E até morrer eu a vou proclamar.
Paz a todos vocês que estão em Cristo.

Dúvidas que Tenho Sobre os Liberais



Os liberais gostam de se apresentar como pessoas que não têm certeza de coisa alguma. Fiéis à incerteza, a qual consideram a essência da erudição, e convencidos de que a dúvida é a única postura intelectual e espiritual aceitável, olham com um misto de desprezo e piedade para os simplórios que manifestam ter certeza de alguma coisa no âmbito espiritual e teológico.
Concordo com os liberais que há muitas coisas no âmbito espiritual e teológico que permanecem em aberto e sobre as quais só é possível tecer conjecturas. Eu mesmo tenho muitas dúvidas. Uma parte delas é sobre as dúvidas dos liberais. Menciono algumas delas aqui:
  1. Tenho dúvida se os crentes do Antigo e do Novo Testamento viviam nessa atitude de constante dúvida, sem jamais ter certeza das coisas relacionadas a Deus. Pelo que lemos, profetas e apóstolos falaram com plena convicção “Assim diz o Senhor” e estavam dispostos a morrer com essa declaração em seus lábios. Semearam a certeza que Deus havia falado e que sua vontade havia sido manifestada, e que era tão clara que o povo podia obedecê-la.
  2. Eu tenho dúvidas se os liberais sabem direito o que fazer com passagens da Bíblia onde se encontram testemunhos de certeza, convicção e fé. Paulo, como os profetas do Antigo Testamento, estava absolutamente certo de muitas coisas acerca de Deus. Ele sabia em quem tinha crido, estava totalmente seguro de que sua mensagem era a mensagem definitiva da parte de Deus (Gálatas 1), sabia que ao morrer estaria com Jesus Cristo (Filipenses 1), para mencionar apenas uns exemplos que me ocorrem agora. João, por sua vez, escreveu seu Evangelho e suas cartas para que os leitores soubessem que tinham a vida eterna, aqueles que criam em Jesus Cristo (João 21; 1João 5). Já o escritor de Hebreus constantemente enfatiza a certeza dos cristãos (Hebreus 6.11; 10.22; 11.1).
  3. Tenho dúvida se os liberais, quando assumem a cátedra em uma instituição de ensino teológico, tenham como objetivo contribuir humildemente para a formação teológica de seus alunos. Tenho dúvidas se a sua primeira ocupação não seja a de arrancar as certezas que porventura seus alunos crentes e ingênuos ainda tenham. Ao que parece, já que estão convencidos de que a certeza é fruto da ignorância, os liberais têm como alvo principal desconstruir a fé de seus pupilos, com o objetivo de torná-los eruditos, educados e acadêmicos, para que saiam das trevas da convicção para a luz das incertezas perpétuas. Não são poucos os relatos que conheço de crentes que após ingressarem em certos seminários e em cursos de teologia, passaram a não acreditar mais em nada – ou a viver em constante estado de dúvida quanto aos pontos fundamentais do Cristianismo, e sem referências morais.
  4. Tenho dúvida se os liberais realmente acreditam em qualquer das verdades ensinadas pelo Cristianismo histórico. Uma vez instalados nas cátedras, os liberais começam explicando aos seus alunos que a ciência já demonstrou que a criação do mundo, os milagres e a ressurreição relatados na Bíblia nunca de fato existiram da forma como narrados. Ensinam que a exegese científica já detectou que os relatos dos Evangelhos refletem mais a fé das comunidades que os produziram do que a realidade dos fatos. Declaram ainda que as grandes doutrinas do Cristianismo, como a Trindade e a divindade de Cristo, são resultado da influência da filosofia grega, particularmente a platônica, no pensamento dos grandes teólogos cristãos que elaboraram os credos que servem de base para a Cristandade.
  5. Também tenho dúvidas se após todo esse trabalho de demolição dos fundamentos da fé e da certeza, os liberais tenham alguma coisa para oferecer a seus alunos a não ser a sua própria dúvida e incerteza. Semeando a dúvida, fazem discípulos duas vezes mais cheios de dúvidas e incertezas do que eles.
  6. Tenho dúvidas ainda quanto ao motivo pelo qual os liberais insistem em ficar dentro das denominações evangélicas, além da sobrevivência financeira, é claro. Talvez seja somente a tradição protestante. Talvez se considerem cristãos porque fazem parte de instituições que historicamente estão ligadas ao movimento cristão. Eles mesmos não estão certos quanto ao que a Bíblia ensina sobre Jesus Cristo, mas para eles isso não é importante. O que importa é pertencer à comunidade que historicamente vem se associando ao nome dele.
  7. Será por isso que os liberais são ecumênicos? Eles acham que o Catolicismo romano, desde o período medieval até hoje, é uma expressão legítima do verdadeiro Cristianismo. Talvez a Reforma protestante, pela qual parecem pedir desculpas aos católicos por ter ocorrido, represente para eles um movimento dissidente motivado por questões políticas, econômicas e pessoais. Tenho dúvida se faça alguma diferença para os liberais o que os reformadores acreditaram ou não. Para eles, católicos e protestantes estão unidos pela tradição e pela história, e as diferenças doutrinárias entre eles, como a justificação pela fé, é resultado da ignorância e da arrogância daqueles que acham que podem alcançar a verdade com algum grau de certeza nesse mundo. Isso faz sentido, já que os liberais consideram toda certeza como fruto da ignorância e da arrogância. Somente os ignorantes e os arrogantes professam confiantemente pontos doutrinários acerca de Deus, de Cristo e do mundo e resolvem brigar por eles. Eles é que são os responsáveis pelas grandes divisões que existem no Cristianismo.
  8. Duvido da dúvida dos liberais. Acho que está mais para falsa humildade e incredulidade travestida de postura acadêmica e científica. No final, os liberais têm um monte de certezas e convicções, a começar de que sua missão na vida é extirpar toda certeza. Duvido também que a dúvida deles um dia os conduza à verdade. Quem duvida em busca da verdade, quando a encontrar deve por coerência duvidar se realmente a encontrou. A sua busca nunca terá fim.
  9. Tenho dúvidas se na raiz dessa atitude de incerteza perene se encontra uma atitude científica ou a nossa velha e conhecida incredulidade. Os que realmente contribuíram para a construção do Cristianismo foram aqueles que estavam certos daquele em quem tinham crido. Os semeadores da dúvida nunca deram realmente qualquer contribuição para o crescimento do Reino de Deus, para a plantação de mais igrejas, para a abertura de novos campos missionários, para a conversão de pecadores e para a reforma da sociedade.
  10. Duvido da integridade intelectual de quem adota a dúvida como método para encontrar a verdade quando antes já tem alguma certeza – inclusive da existência de Deus. Somente agnósticos podem usar esse método de forma coerente. Teólogos cristãos, especialmente reformados, que adotam essa postura, são uma contradição em si mesmos.
Essas são minhas dúvidas quanto à eterna recusa dos liberais de afirmar alguma coisa com convicção. Não estou dizendo que podemos ter plena certeza de todas as coisas e que é possível ter uma explicação para tudo. Afirmar isso seria realmente arrogância e ignorância. Não estou negando a necessidade de termos uma mentalidade crítica e de submeter à análise todas as proposições e declarações na área de teologia. Por outro lado, há muita coisa da qual podemos ter certeza, se formos observar o testemunho seguro dos crentes do Antigo e do Novo Testamento.

Nem Tomé pode ser considerado o primeiro liberal, pois, tendo duvidado a princípio, afinal veio a crer na revelação de Jesus. A mente liberal, em contraste, é como uma boca aberta, que nunca se fecha sobre algo sólido para mastigar e alimentar-se. Afinal, a fé não é de todos.