Sobre a placa que serviu como epitáfio na cruz

por Zé Luís
Numa sexta-feira, véspera do Sabath judeu, a quase 2000 anos atrás, os que chegavam em Jerusalém podiam ver tres condenados nus, machucados, dependurados por pregos para morrer num madeiro.
Seria mentira dizer que quem passavam por ali se compadeciam com aquela cena tão terrível: era normal esse tipo de pena capital naquela época. Naquela tarde, uma cruz se destacava, pela discrepante presença de seus contempladores: embora alguns chorassem discretamente a dor da perda eminente de seu Mestre, outros, os homens santos da cidade, permaneciam ali, parecendo apreciar cada segundo de dor dos que morriam desgraçadamente.
Até os dois condenados que morriam a seu lado proferiam xingamentos contra aquele que morria em silêncio (é justo relatar que um dos condenados, após aquelas seis horas de morte pelos pulsos com grandes cravos enferrujados, reconheceu no misterioso condenado a figura de um Rei que está seguindo para seu império).
Se você quisesse saber o crime de cada condenado, bastava se aproximar das cruzes, e ler uma pequena placa pregada acima de suas cabeças, nos três idiomas mais usados da região, descrevendo os crimes cometidos para que eles fossem condenados a tão cruel fim.
Nesse ponto, o próprio Pôncio Pilatos, romano, escreve em hebraico, grego e latim a razão de sua pena: “Jesus Nazareno, Rei dos Judeus”, o que em latim ficaria “Iesu(a) Nazarenus Rex Iudaeorum” e na pronucia hebraica algo como “Yehudi m vMelech HaNazarei Yeshua”, o que aborreceu e muito os fariseus presentes, que pediram encarecidamente que a placa fosse modificada, o que Pilatos se negou a fazer.
O problema eram os acrósticos. Assim como INRI, um acróstico das palavras escritas em latim, o hebraico também detém seus misteriosos acrósticos, só que nesse caso, impronunciável para um judeu:
As iniciais usadas eram exatamente as mesmas usadas para pronunciar o nome sagrado de Deus, coisa que um judeu jamais proferia: YHWH, sem vogais, já que elas foram suprimidas propositalmente, para não correrem risco deste nome ser dito.
Os fariseus, que tanto fizeram para ver o homem chamado Jesus, morto por ter confessado ser Deus, acabaram por pendura-lo para morrer às portas da cidade, no dia mais movimentado do ano, mas na placa onde deveria estar seu crime, havia o acróstico do nome sagrado de Deus.
Seu pecado era ser Jeová: " Eis o cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo."
Interessante é que, enquanto homens pensavam estar vencendo Deus, Ele estava-os vencendo, apesar de todos os esforços.
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